A Magia das Velas: o poder ancestral do fogo nas práticas espirituais
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A Magia das Velas
Por que a vela é um instrumento sagrado? Entenda o fundamento do fogo, a tríade terra–fogo–ar no acender com fósforo, as cores e intenções, a unção com óleos, a leitura simbólica da chama e da cera, e as boas práticas de segurança.
1) Fundamento do fogo e dos elementos
O fogo é o elemento da transmutação: acelera processos, consome densidades e eleva a intenção. A vela materializa a prece ao unir matéria + tempo + luz. O pavio é o condutor; a cera, o combustível; a chama, o princípio vital que eleva o pedido.
- Terra: cera, pavio e a própria base/altar.
- Fogo: a chama que transforma.
- Ar: oxigênio que sustenta a combustão e “leva” a prece.
- Água (simbólica): copo d’água ao lado, para serenidade e recepção do excedente vibratório.
2) Por que fósforo? Terra–Fogo–Ar no acender
Em muitas tradições, recomenda-se acender com fósforo porque o próprio ato reúne os elementos: madeira (terra) + ignição (fogo) + aquecimento do ar (ar), gerando uma chama “nova” e limpa.
- Princípio simbólico: fósforo integra, no gesto, a tríade terra–fogo–ar.
- Princípio prático: evita odores e resíduos de gás/óleo do isqueiro no instante inicial do rito.
- Regra de respeito: se sua casa autoriza isqueiro, use com reverência; na dúvida, prefira fósforo.
Essencial: mais importante que o instrumento é a intenção correta e o respeito ao fundamento da sua casa.
3) Cores e intenções (síntese tradicional)
| Cor | Uso tradicional | Sugestão prática |
|---|---|---|
| Branca | Purificação, paz, abertura de caminhos | Oração diária; altar doméstico |
| Preta | Proteção e corte de negatividade (trabalhos de Esquerda) | Defesa e firmezas |
| Vermelha | Força, coragem, vitalidade | Energia para ações |
| Rosa | Afeto, autoestima, harmonia emocional | Cuidado consigo e relações |
| Verde | Saúde e equilíbrio | Bem-estar e reequilíbrio |
| Azul | Proteção, serenidade, verdade | Preces por paz e justiça |
| Amarela/Dourada | Prosperidade, foco mental, êxito | Trabalho, estudos e negócios |
| Roxa/Violeta | Transmutação e elevação espiritual | Mudança de padrão energético |
Regra de ouro: uma intenção principal por vela. Se houver duas intenções distintas, utilize velas diferentes.
4) Materiais e duração: o que muda
- Parafina: estável e previsível (uso geral).
- Cera de abelha: queima lenta e mais limpa (boa para altares).
- Ceras vegetais (soja, coco): queima limpa; opção a quem prefere alternativas.
Formato e tempo:
- Palito (20–90 min): orações breves/firmezas rápidas.
- Votiva (2–6 h): uso cotidiano no altar.
- 7 dias (até ~168 h): constância e sustentação do pedido.
5) Óleos, ervas e unção (quando e como)
- Unção opcional (somente se sua casa permite):
- Atração/expansão: do meio → topo (algumas tradições usam base → topo).
- Limpeza/corte: do topo → base.
- Use poucas gotas para não afogar o pavio.
- Ervas vão ao lado, nunca na chama (ex.: louro prosperidade; arruda limpeza; camomila paz).
Quando em dúvida: somente a vela, com boa intenção, já é um rito completo.
6) Como acender e consagrar (passo a passo)
- Higienize o local e acalme a respiração.
- Defina a intenção em frase curta e afirmativa.
- Coloque um copo d’água ao lado (não atrás da vela).
- Acenda com fósforo (preferencial) e observe a primeira chama.
- Faça prece/ponto conforme sua fé e entregue o pedido.
- Evite deslocar a vela; mantenha o silêncio respeitoso.
- Ao fim, agradeça e apague com abafador/apaga-velas (ou deixe terminar, conforme o rito).
Em algumas linhas, a consagração inclui traçar o sinal sobre a vela ou apoiá-la no ponto da entidade. Siga o fundamento da sua casa.
7) Leitura simbólica da chama e da cera
- Chama alta e estável: fluxo aberto, boa recepção do pedido.
- Chama baixa/oscilante: pedido difuso, ambiente pesado ou pavio úmido → reze mais e simplifique.
- Fumaça escura no início: limpeza de densidade; observe se estabiliza.
- Cera escorrendo muito: gasto energético/ânsia → foque e reduza interferências.
- Pavio com “bolinha”: processo em curso; mantenha constância.
Leitura é simbólica e auxiliar. Não substitui orientação do dirigente nem decisões de saúde.
8) Segurança (não negocie)
- Use porta-velas estável e base não inflamável.
- Nunca deixe vela sozinha; se precisar sair, apague.
- Afaste de cortinas, papéis e aerossóis.
- Evite correntes de vento (afeta queima e segurança).
- Com velas de 7 dias, use recipiente de vidro apropriado e superfície fria (pedra/metal).
- Descarte a cera somente quando fria; não jogue cera quente no lixo.
9) Perguntas rápidas
Posso acender várias cores juntas?
Pode, mas evite intenções conflitantes. Para objetivos diferentes, use velas diferentes.
Fósforo é obrigatório?
Não. É preferível em muitas tradições por integrar terra–fogo–ar e gerar uma chama “nova”. Respeite a norma do seu terreiro.
O que fazer com restos?
Siga o fundamento da sua tradição. Em uso doméstico, descarte frio e limpo, com respeito.
10) Bibliografia e nota editorial
Referências selecionadas
- Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. 2ª ed. São Paulo: IDE, 2008 (obra original de 1861).
- Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo. 3ª ed. São Paulo: IDE, 2008 (obra original de 1864).
- Mircea Eliade. O Sagrado e o Profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
- Rivas Neto. Umbanda: Religião Brasileira. São Paulo: Madras, 2015.
- Rubens Saraceni. Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada. São Paulo: Madras, 2006.
- Alexandre Cumino. Umbanda não é Macumba. São Paulo: Madras, 2011.
- Câmara Cascudo. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
Aviso editorial: Conteúdo devocional e educativo, baseado em tradições populares e em referências doutrinárias. Em caso de divergência, prevalece a orientação do seu dirigente e o fundamento da sua casa.