Como Montar uma Guia na Umbanda – Passo a Passo com Fundamento
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Como Montar uma Guia na Umbanda
A guia de contas é um instrumento sagrado: protege, firma a mediunidade e representa a ligação com a Linha de Trabalho. Montar uma guia é um ato de fé, respeito e fundamento espiritual.
1) Defina o propósito da guia
Antes de tudo, esclareça para quem e para quê a guia será feita. Exemplos:
- Orixás: Oxalá, Iemanjá, Xangô, Oxum…
- Linhas de trabalho: Pretos Velhos, Caboclos, Exus, Pombagiras.
- Entidade específica: seu Exu, Pombagira, Caboclo ou Preto Velho de trabalho.
Fundamento: cada Linha possui código vibracional (cores, contagens, símbolos). Respeitar esse código honra a entidade e protege o médium.
2) Materiais e critérios de qualidade
Busque materiais dignos do sagrado e adequados ao uso ritual:
- Contas: vidro, cristal ou pedras naturais (quando indicado pelo dirigente).
- Separadores/detalhes: murano, metais resistentes, miçangas específicas.
- Elemento central: pode conter símbolo da Linha (tridente, cruz, ponto, estrela, concha, etc.) quando orientado.
- Fio: nylon, linha encerada ou aço flexível; nós reforçados; fechamento seguro.
Conduta: evite improvisos sem orientação do terreiro. O dirigente conhece os fundamentos daquela casa.
3) Cores, padrões e contagens
As cores expressam a vibração da Linha. Exemplos tradicionais:
- Exu: preto e vermelho.
- Pombagira: vermelho, preto e/ou dourado.
- Oxum: amarelo/dourado e cristal.
- Pretos Velhos: preto e branco.
- Caboclos: verde e branco.
As contagens (ex.: 7, 14, 21) e as sequências de contas são definidas pelo fundamento da casa ou pela orientação da própria entidade.
4) Montagem com intenção
Durante a confecção, mantenha o ambiente e a mente alinhados:
- Acenda uma vela na cor correspondente à Linha.
- Coloque um copo com água ao lado (elemento de equilíbrio).
- Entoe pontos, reze e mentalize o propósito (proteção, saúde, firmeza, etc.).
- Monte em silêncio respeitoso, sustentando uma boa vibração.
5) Consagração (firmeza e cruzamento)
A guia só está pronta após ser consagrada — normalmente pelo dirigente — durante a gira específica, com ervas, rezas, defumação e firmeza no ponto da Linha.
Importante: a consagração é o que “liga” a guia à egrégora da casa e à entidade. Sem isso, ela permanece apenas como adorno.
6) Cuidados e conduta
- Guarde em local limpo e protegido (pano/saquinho separado).
- Evite que outras pessoas manipulem sua guia.
- Faça limpezas energéticas quando orientado (defumação, selenita, orações).
- Use apenas em ocasiões adequadas; respeite as regras da sua casa.
- Se arrebentar, não use até ser reparada/firmada novamente.
Perguntas frequentes
Posso montar minha guia sozinho?
Pode preparar materiais e até montar a sequência, mas a consagração deve ser feita na casa, pelo dirigente, conforme o fundamento local.
A guia é a mesma para todos da mesma Linha?
Não necessariamente. Contagem e símbolos variam conforme tradição, ponto de força e orientação da entidade/terreiro.
Como limpar energeticamente?
Defumação com ervas indicadas, oração e repouso em selenita são práticas comuns. Siga as instruções do seu terreiro.
Posso usar fora das giras?
Somente quando indicado pelo dirigente. Em geral, recomenda-se uso ritual, não cotidiano.
Precisa de orientação?
Se tiver dúvidas sobre propósito, contagens ou consagração, procure o dirigente da sua casa. Se desejar, nossa equipe pode orientar a documentação do ritual para você registrar com segurança.
Falar no WhatsAppReferências Doutrinárias e Bibliográficas
Umbanda Sagrada
- Rivas Neto — Umbanda: Religião Brasileira, Madras, 2015.
- Rubens Saraceni — Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Madras, 2006.
- Rubens Saraceni — As Sete Linhas de Umbanda e seus Mistérios, Madras, 2008.
- Alexandre Cumino — Umbanda não é Macumba, Madras, 2011.
- Norberto Peixoto — O Médium, o Espírito e a Mediunidade na Umbanda, Anubis, 2014.
Aviso editorial: Conteúdo espiritual, simbólico e educativo. Não substitui orientação do seu terreiro nem tratamentos médicos/psicológicos. Respeite sempre o fundamento da sua casa.