Entendendo as Diferenças: Umbanda, Mesa Branca, Kardecismo e Candomblé

Entendendo as Diferenças: Umbanda, Mesa Branca, Kardecismo e Candomblé

Umbanda, Mesa Branca, Kardecismo e Candomblé: Entenda as Diferenças

Entendendo as Diferenças: Umbanda, Mesa Branca, Kardecismo e Candomblé

No Brasil convivem expressões espirituais que compartilham a mediunidade e a fé, mas se distinguem nos fundamentos, rituais e objetivos. Este guia apresenta um comparativo claro para promover entendimento e respeito religioso.

Umbanda e a chamada “Mesa Branca”

Umbanda (religião brasileira)

  • Origem: Brasil, início do séc. XX.
  • Referência histórica: Zélio Fernandino de Moraes (1908).
  • Base: síntese brasileira com elementos do Kardecismo, religiões afro-brasileiras, catolicismo popular e culto aos Orixás.
  • Prática: pontos cantados, incorporação de guias (caboclos, pretos-velhos, Exus, Pombagiras), ervas, velas e defumação.
  • Objetivo central: caridade espiritual e moral, cura e orientação.

Marcas: culto aos Orixás como forças da natureza; sincretismo histórico; giras com atabaques e incorporação.

“Mesa Branca” (vertente umbandista)

Termo popular para grupos de Umbanda com estilo mais kardecista (sem atabaques ou culto ritual aos Orixás).

  • Base: sessões silenciosas com passes e mensagens; presença de caboclos e pretos-velhos.
  • Objetivo: cura, aconselhamento e ética moral.

Diferença: reduz símbolos/rituais (velas coloridas, pontos, toques), aproximando-se do Espiritismo em forma — sem se confundir com ele.

Espiritismo Kardecista (Doutrina Espírita)

  • Origem: França, séc. XIX.
  • Fundador: Allan Kardec (1804–1869).
  • Obra base: O Livro dos Espíritos (1857) e codificação espírita.
  • Prática: sem rituais; foco em estudos, evangelho, reuniões e passes magnéticos.
  • Objetivo central: evolução moral do espírito.

Marcas: racionalismo espiritual; não cultua Orixás, Exus ou Pombagiras e rejeita oferendas/toques afro-religiosos na prática doutrinária.

Candomblé (tradição afro-brasileira)

  • Origem: matrizes africanas (iorubá, jeje, bantu) trazidas por povos escravizados.
  • Base: religião iniciática de culto aos Orixás/Voduns/Inquices, com tradição oral e hierarquia.
  • Prática: ritos iniciáticos, oferendas, toques de atabaque, cantos em línguas africanas e incorporações específicas.
  • Objetivo: culto aos Orixás, equilíbrio espiritual e preservação da ancestralidade.

Marcas: iniciação e obrigações; Orixás com identidade própria (não sincretizados no fundamento tradicional); não realiza “caridade pública” como prática central.

Resumo comparativo

Aspecto Umbanda Mesa Branca Espiritismo Kardecista Candomblé
Origem Brasil (séc. XX) Brasil (vertente umbandista) França (séc. XIX) África (matrizes)
Fundamento central Síntese religiosa brasileira Umbanda “racionalizada” Codificação espírita Tradição afro iniciática
Entidades/Espirits Guias (caboclos, pretos-velhos, Exus, etc.) Guias mais “elevados” Espirits desencarnados Orixás/Voduns/Inquices
Rituais Sim Simples ou nenhum Não Sim, complexos
Uso de elementos Velas, ervas, pontos, atabaques Elementos discretos Sem oferendas/atabaques Oferendas, toques, línguas africanas
Objetivo Caridade espiritual e cura Cura e orientação Evolução moral Culto aos Orixás

Conclusão

Cada tradição cumpre um papel específico na experiência espiritual brasileira. Conhecer diferenças reduz preconceitos e fortalece o respeito à diversidade religiosa.

Respeito não se discute. Se pratica.

Referências Bibliográficas

Umbanda

  • Rivas Neto — Umbanda: Religião Brasileira, Madras, 2015.
  • Rubens Saraceni — Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Madras, 2006.
  • Alexandre Cumino — Umbanda não é Macumba, Madras, 2011.

Espiritismo Kardecista

  • Allan Kardec — O Livro dos Espíritos, 1857; O Livro dos Médiuns, 1861; O Evangelho segundo o Espiritismo, 1864.

Candomblé

  • Reginaldo Prandi — Segredos Guardados, Companhia das Letras, 2005.
  • Juana Elbein dos Santos — Os Nàgô e a Morte, Vozes, 1986.
  • Pierre Verger — Orixás, Corrupio, 1981.

Aviso editorial: Conteúdo informativo e educativo, sem pretensão proselitista. Respeite sempre o fundamento da sua casa religiosa e as tradições de cada culto.

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